Toxina Botulinica – Parte I: O botulismo

Era uma vez uma toxina poderosa produzida por uma bactéria maléfica, que matava muita gente por causar uma doença que na maioria das vezes, quando não havia assistência médica, era grave e fatal. Brincadeiras à parte, o botulismo é uma doença causada pela toxina produzida pela bactéria anaeróbica Clostridium botulinum, seus esporos são muito resistentes e podem ser encontrados no solo, em alimentos e nas fezes humanas e de animais. No brasil acontecem ainda cerca de 15 mil casos de botulismo todos os anos.

BotulismoClostridium Botulinum Bacteria C: Corbis/Stock Photos
Clostidium botulinum

A bactéria produz oito tipos de neurotoxinas, a do tipo A é a mais potente e é a que é purificada e utilizada em consultórios para fins de tratamento estético e terapêutico. A dose toxica do botox que utilizamos na medicina é 60 vezes maior do que a que costumamos utilizar por paciente, ou seja, o procedimento é muito seguro.

 

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Alimentos enlatados podem ser fonte de contaminação.

 

A doença pode aparecer como botulismo alimentar, botulismo no lactente e botulismo das feridas. A mais comum é a causada pela ingestão de alimentos contaminados, na maioria dos casos, alimentos em conserva ou caseiros, quando preparados sem respeito às regras básicas de higiene. São exemplos os vegetais, especialmente o palmito; embutidos, peixes e frutos do mar

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Exemplo de paciente com ptose palpebral, queda das pálpebras

 

No lactente a doença se manifesta nos primeiros meses de vida, geralmente a criança se contamina com esporos presentes no solo ou em alimentos oferecidos a ela. A gravidade vai desde problemas gastrointestinais contornáveis até episódios de síndrome de morte súbita.

O botulismo por feridas tem como porta de entrada lesões traumáticas ou cirúrgicas infectadas pelo C. botulinum e o uso de drogas injetáveis.

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Botulismo das feridas

 

O período de incubação (tempo entre a pessoa entrar em contato com a toxina e desenvolver os sintomas) varia de algumas horas até oito dias e depende da quantidade de toxina liberada no organismo do paciente.

Os primeiros sintomas são visão dupla e embaçada, fotofobia (aversão à luz), ptose palpebral (queda da pálpebra), tonteira, boca seca, constipação intestinal (intestino preso) e dificuldade para urinar.

Quando a doença é mais grave, há comprometimento progressivo do sistema nervoso e o paciente experiencia dificuldade para engolir, falar e se locomover. O quadro mais grave do botulismo é a paralisia dos músculos respiratórios, o que pode ser fatal.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito pelo médico e leva em conta os sinais e sintomas apresentados, a resposta ao exame neurológico, investigação sobre os alimentos ingeridos e a ocorrência de casos de intoxicação em pessoas que consumiram os mesmos alimentos. O diagnóstico de certeza só é feito quando se detecta a toxina no sangue ou a bactéria nas fezes do paciente.

Paciente com botulismo precisa de internação hospitalar para terapia de suporte e controle das complicações, especialmente dos problemas respiratórios, que podem ser letais. O processo de recuperação é lento e depende de como o sistema imunológico reage para eliminar a toxina. Quanto ao uso de medicamentos, antibióticos não são eficazes para reverter o quadro. Se diagnosticado cedo, o botulismo pode ser tratado com uma antitoxina que bloqueia a ação da neurotoxina circulante no sangue. A antitoxina é trivalente (eficaz contra três neurotoxinas: A, B, E) e pode prevenir que a doença se agrave. As feridas devem ser tratadas, geralmente cirurgicamente, para remover a fonte das bactérias produtoras da toxina.

A taxa de mortalidade por botulismo caiu de 70 para 10% após instituição do tratamento medico hospitalar.

Prevenção

Toda atenção é pouca, quando se trata de alimentos enlatados, em vidros, ou embalados a vácuo, porque a bactéria tem predileção por ambientes sem oxigênio. Não os consuma, se notar qualquer irregularidade na embalagem, como lata enferrujada ou estufada ou água turva dentro dos vidros. Ferver os alimentos enlatados, especialmente palmito, ou as conservas antes de consumi-los, é uma boa dica para destruir toxinas liberadas pela bactéria.

E o meu botox, doutor?

 

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Diferentes apresentações da toxina botulínica liberada para uso médico.

 

Já a toxina botulínica aplicada para fins estéticos e médicos não causa botulismo, pois é aplicada em quantidades pequenas, controladas e apenas no musculo ou região onde se quer produzir efeito de paralisia. A aplicação deve sempre ser feita por profissional treinado para tal para que outros efeitos adversos e indesejáveis não ocorra.

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Toxina botulinica industrializada: ame-a e uso com critério.

Mais informações nos próximos posts.

 

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3 comentários em “Toxina Botulinica – Parte I: O botulismo

  1. Muito informativo!
    Não sabia sobre o botulismo!
    👏🏻👏🏻👏🏻

    Curtido por 1 pessoa

  2. Cleonice dos Santos 23 de maio de 2017 — 18:22

    Dr. será que essa toxina cura minhas bochechas de buldogue e minha cara de cachorro molhado ?

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    1. Cleonice, minha cara. Agende uma avaliação para que eu possa te ver e indicar o melhor procedimento. O que seria cara de cachorro molhado?

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