E o meu cabelo, doutor?

Antes de qualquer coisa: cuide de seus cabelos da mesma forma como voce cuida do restante do seu corpo, mantendo uma dieta equilibrada, praticando atividades físicas adequadas para sua idade e condição geral de saúde, se hidratando! Menos química, mais massagens. Lembre-se que prevenção é sempre melhor que tratamento. 

Nosso corpo possui em média 5 milhões de folículos pilosos e cada um deles, dependendo da região onde se localizam, podem produzir diferentes tipos de pelos. Cerca de 100 mil deles estão no couro cabeludo e produzem os fios que dão origem ao que chamamos de cabelo, do latim, capillus! Os cabelos não servem só para deixar te deixar mais bonitinho, também funcionam como um isolante térmico, protegendo a cabeça das radiações solares e da abrasão mecânica.

foliculo piloso
Figura 1 – Um folículo piloso e seus principais componentes.

O principal componente do fio de cabelo é proteína, em maior quantidade a queratina. Lipídeos (gorduras), minerais e água são os outros elementos da estrutura dos pelos. Um fio saudável é resistente, flexível e elástico, e sua coloração depende do tipo e quantidade de melanina que a pessoa produz. Cabelos lisos, crespos, mais finos e mais grossos tem composição química semelhante, a forma como os componentes se organizam e as proporções dos mesmos podem variar. 

 

tricograma
Figura 2 – Fios para avaliação microscópica – tricograma.

 

O crescimento dos fios não é contínuo, existem momentos em que o folículo está em repouso e até em processo de apoptose (morte celular programada). A velocidade média de crescimento é de 0,3mm por dia, ou 1cm por mês, e isso depende de diversos fatores, como a fase desenvolvimento em que se encontram os folículos, o estado de nutrição da pessoa, fatores agressores externos e internos. A taxa de queda normal é de 60 a 100 fios por dia!

Tricograma é um tipo de exame que se faz para avaliar o crescimento do pelo, geralmente se arrancam 50 fios e realiza-se a contagem dos diferentes tipos de pelo e seu estágio de crescimento. A grosso modo, espera-se encontrar mais fios em estágio de intensa atividade mitótica, ou seja, o folículo dos pelos estará em plena atividade de crescimento.  Caso isso não seja observado, é provável que o paciente esteja sofrendo de uma condição clínica/doença chamada de ALOPECIA – conjunto de doenças também conhecidas como calvície. Existem diferentes tipos de alopecia e a principal divisão entre elas é entre as alopecias cicatriciais e as não cicatriciais.

tricoscopia
Outro exame importante disponível para avaliação dos cabelos se chama tricoscopia, utiliza-se uma câmera com zoom que permite avaliar de perto o estado dos pelos e do couro cabeludo.

Como o nome diz, as alopecias cicatriciais envolvem processos de dano a matriz do pelo, o que leva a formação de cicatrizes que comprometem as células precursoras do fio. São mais raras e geralmente são causadas por patologias como lúpus, líquen plano, foliculites e outras doenças que envolvem o nosso sistema imunológico. 

As alopecias não cicatriciais têm diversas causas, sendo os quadros mais comuns a alopecia areata, eflúvio telógeno, eflúvio anágeno e alopecia androgenética. Calma que esses nomes difíceis não mordem e vou falar um pouquinho de cada um deles.

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Enquanto houver fios e folículos pilosos viáveis haverá esperança!

 

Alopecia areata

Também chamada de pelada, peladeira, é um tipo de alopecia crônica e muito frequente em homens e mulheres, principalmente em jovens e crianças. Acontece de forma súbita e a pessoa perde pelos em áreas circunscritas ou até mesmo em toda a cabeça. Tem fatores genéticos ligados a sua causa e geralmente outras pessoas na família já tiveram ou terão o mesmo quadro.

Pode aparecer com perda de pelos em outras regiões do corpo, como barba, genitália, cílios e muitas vezes se associa a doenças da tireoide e vitiligo. A evolução desse tipo de alopecia é imprevisí­vel e em muitos casos os pelos voltam a crescer espontaneamente em poucos meses. Ás recorrente, ou seja, pode aparecer e desaparecer várias vezes ao longo da vida.

Existe tratamento, que depende da idade do paciente e da extensão do problema. Podem ser usados medicamentos por via oral, soluções tópicas (aplicadas no couro cabeludo) e até aplicação intralesional (com agulha) de medicamentos. 

Eflúvio anágeno

É o tipo de alopecia que acomete pessoas em tratamento quimioterápico, radioterápico, com infecções graves, cirurgias prolongadas e sífilis secundária. Essas condições alteram o ciclo celular ou a produção de algum componente específico do pelo e atrapalha seu desenvolvimento. 

O tratamento consiste em uma dieta rica em proteínas, vitaminas e minerais. Podem ser utilizados medicamentos orais ou tópicos. Quando o pelo volta a crescer ele pode aparecer com cor, textura e formato diferentes do original e essas características podem perdurar.

Eflúvio Telógeno

Pode acontecer no pós-parto, em pacientes em uso de anticoncepcionais hormonais e/ou substâncias como heparina, cumarínicos e lítio e em pessoas com dieta onde há restrição de proteínas, ferro e zinco. Comum também em doenças sistêmicas (anemias, doenças da tireoide, doenças cardíacas ou pulmonares, etc.) e em caso de estresse! 

Geralmente o cabelo começa a cair 3 meses após o estímulo desencadeante e pode-se perder até 50% dos pelos até que a pessoa perceba o que está acontecendo. Alguns pacientes reclamam de sensação dolorosa no couro cabeludo, o que é chamado de tricodínia. Na maioria dos casos o quadro dura de 2 a 6 meses e tem recuperação completa, mas alguns casos requerem tratamento médico.

O tratamento passa pelo uso de complementos vitamínicos, reposição de ferro, uso de soluções no couro cabeludo e até medicação via oral. Deve-se passar por avaliação profissional e serão necessários exames laboratoriais para se definir o tratamento adequado para cada pessoa.

Alopécia androgenética

Esse é o tipo de alopecia que acomete a maioria dos homens calvos e é herdada dos pais via genes que são autossômicos dominantes, ou seja, se um dos pais é careca o filho tem 50% de chances de também o ser, se ambos os pais forem calvos a probabilidade de um filho vir a desenvolver a calvície chega a 75%! 

Está associada a ação de hormônios masculinos, testosterona e seus derivados, e surge após a puberdade, quando os meninos têm seus níveis de testosterona elevados às alturas. 

Simplificando bastante, um dos derivados da testosterona causa miniaturização dos folículos, que vão ficando fracos e passam a produzir pelos cada vez mais finos. Os primeiros locais onde se observa essa mudança é na linha frontal e no vértex (coroa).

A alopecia é pior quando aparecem em pessoas mais jovens, e geralmente acontece de forma mais rápida. Ela é mais grave quando acompanhada de dermatite seborreica (caspas).

É raro acometer mulheres, mas quando acontece, esse tipo de calvície causa uma rarefação difusa dos cabelos, geralmente a linha frontal é preservada e não se observam áreas de calvície. Na maioria das vezes os níveis hormonais estão normais mas pode acontecer de os hormônios masculinos estarem elevados.

Durante consulta médica é feita classificação do grau da calvície, exames laboratoriais são essenciais para ajudar no diagnóstico e na definição do tratamento.

O tratamento em homens e mulheres é diferenciado e envolve uso de diversos medicamentos tópicos, carboxiterapia (aplicação de gás carbônico no couro cabeludo), intradermoterapia (aplicação de medicamentos no couro cabeludo) e até uso oral de medicamentos. 

Um outro tipo de calvície que vem incomodando muita gente é a alopecia por pressão ou tração. Acontece basicamente quando há tração exagerada dos cabelos, aparece principalmente em região temporal ou na orla do couro cabeludo. Muito frequente em mulheres negras que usam apliques, em homens e mulheres que fazem coques muito apertados ou usam chapéus e bonés muito justos. O tratamento é remover a causa e, se necessário, utilizar medicamentos e soluções para acelerar o processo de recuperação.  

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Exemple de alopecia por tração após uso prolongado de apliques no cabelo.
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Uso excessivo de bonés e chapéus pode provocar alopecia por pressão.

Tratamentos

Solte os seus cabelos e prenda o preconceito. Se seus cabelos são parte importante da sua vida, cuide deles como tal. Pintar, escovar, hidratar, cortar, tudo isso já fazemos de rotina, com mais ou menos intensidade. Porém para muitos cabelos isso não é suficiente. Existem outras condições médicas que podem acometer os cabelos que não foram abordadas nesse texto, outros posts virão.

Agende uma avaliação médica e descubra o que pode ser feito por você!

Carboxiterapia

É uma técnica nova, simples e usada no tratamento de calvície, flacidez cutânea, gordura localizada, celulite e estrias. O gás carbônico (dióxido de carbono) é aplicado utilizando uma agulha bem pequena e provoca aumento da circulação sanguínea local . É um tratamento rápido, confortável e efetivo. O número de sessões para se obter o resultado desejado é variável e a técnica pode ser associada a outros tipos de tratamento pra calvície.

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Carboxiterapia é um dos tratamentos mais efetivos para a maioria dos casos de alopecia.
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Caso tratado com carboxiterapia no couro cabeludo.

Intradermoterapia

Também chamada de mesoterapia, a técnica foi desenvolvida na França e visa a administração regional de pequenas quantidades de medicamentos, via intradérmica, ou seja, abaixo da primeira camada da pele (epiderme). Este é um procedimento médico e requer diversos cuidados para que seja eficiente e para que não ocorram complicações desastrosas.  O medicamento aplicado no local onde se deseja tratar tem efeitos mais rápidos, mais duradouros e observam-se menos efeitos colaterais. O intervalo entre uma sessão de intradermoterapia capilar e outra é de pelo menos 21 dias, podendo varia de 13 a 30 dias dependendo do tratamento proposto. Na maioria dos casos se usa uma mistura com diversos tipos de medicamentos, individualizados de acordo com o paciente.

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As medicações são aplicadas diretamente no couro cabeludo, associadas a anestésico local.
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Intradermoterapia capilar.
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Diverssos tipos de medicação com mínimo de efeitos adversos e contra-indicações já estão disponíveis para tratamento seguro e eficaz da alopécia.
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O tratamento para homens e mulheres deve ser individualizado na intradermoterapia capilar.

 

Medicamentos

É arriscado fazer uso de medicação oral e até mesmo de alguns medicamentos tópicos sem acompanhamento profissional. Finasterida, dutasterida, minoxidil, 17-alfa estradiol (Avicis), tretinoína, antralina, clobetasol, depomedrol, sulfalazina: esses são alguns dos medicamentos que podem fazer parte do tratamento. A escolha é feita se levando em conta o tipo de alopecia, perfil do paciente, sexo, idade e condições gerais de saúde.

 

Cabelo é coisa séria. Procure seu dermatologista ou médico especialista em medicina estética e cuide-se.

Duvidas? Críticas? Elogios e comentários? Sempre bem-vindos. Utilize os comentários ou o campo contato.

Até o próximo post!

 

Referências

  1. Lyon, Sandra – dermatologia estética: medicina e cirurgia estética – 1a edição. Rio de Janeiro; MedBook, 2015.
  2. Bergfeld WF: how to manage a common cause of hair loss. Cleve Clin J Med 2001.
  3. Horta Duarte Medicina Estética

 

2017-10-5--08-38-46

 

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5 comentários em “E o meu cabelo, doutor?

  1. Juliana Alcantara 10 de maio de 2017 — 22:22

    Dr Fabio é sensacional! Melhor médico que conheço! Confio 100% da minha beleza nele!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Obrigado! Farei de tudo pra sempre fazer jus ao elogio! Beijo

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  2. Excelente profissional! Dedicado, atencioso e prático!

    Curtido por 1 pessoa

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